Infarto e derrame: entenda os sinais, fatores de risco e como proteger sua saúde cardiovascular
Infarto e acidente vascular cerebral, popularmente chamado de derrame, estão entre as emergências médicas que mais exigem reconhecimento rápido. Entender os sinais de alerta, os fatores de risco e as formas de prevenção pode fazer diferença na saúde e na qualidade de vida.
Infarto e AVC são emergências médicas. Dor intensa ou súbita no peito, falta de ar importante, suor frio, perda súbita de força em um lado do corpo, alteração da fala ou outros sintomas neurológicos de início súbito exigem atendimento imediato. Ligue para o SAMU pelo número 192 ou procure um serviço de emergência.
Infarto e derrame são a mesma coisa?
Não. Embora estejam relacionados ao sistema cardiovascular e compartilhem vários fatores de risco, infarto e acidente vascular cerebral são eventos diferentes.
O infarto agudo do miocárdio acontece quando o fluxo de sangue para uma região do músculo cardíaco é interrompido ou reduzido de forma significativa, geralmente por obstrução de uma artéria coronária. Sem oxigênio suficiente, as células daquela região do coração começam a sofrer lesão.
Já o acidente vascular cerebral, ou AVC, ocorre quando existe interrupção do fluxo sanguíneo para uma região do cérebro ou quando um vaso cerebral se rompe. O AVC pode ser isquêmico, quando há obstrução de uma artéria, ou hemorrágico, quando ocorre ruptura de um vaso e sangramento cerebral.
O que acontece durante um infarto?
As artérias coronárias são responsáveis por levar sangue e oxigênio ao músculo cardíaco. Ao longo da vida, algumas pessoas desenvolvem placas de gordura e outras substâncias na parede dessas artérias, processo conhecido como aterosclerose.
Em determinadas situações, uma dessas placas pode se romper. O organismo reage formando um coágulo no local, e esse coágulo pode bloquear parcialmente ou completamente a passagem de sangue.
Quanto mais tempo uma região do coração permanece sem irrigação adequada, maior pode ser a lesão do músculo cardíaco. É por isso que o atendimento rápido é tão importante.
Quais são os principais sintomas de infarto?
O sintoma mais conhecido é a dor ou desconforto no peito, mas a apresentação pode variar de uma pessoa para outra.
- Dor, pressão, aperto ou peso no peito;
- Dor que pode irradiar para braço, costas, pescoço ou mandíbula;
- Falta de ar;
- Suor frio;
- Náusea ou mal-estar;
- Tontura ou sensação de desmaio;
- Cansaço súbito ou intenso.
Em idosos e pessoas com diabetes, o infarto pode ocorrer com sintomas menos típicos. Alguns pacientes podem apresentar principalmente falta de ar ou mal-estar súbito, sem a dor clássica no peito.
A dor no peito deve ser ignorada?
Dor no peito pode ter diversas causas e nem sempre significa infarto. Porém, quando surge de forma intensa, inesperada ou acompanhada de outros sintomas, precisa ser levada a sério.
Neste vídeo, o Dr. João Victor aborda a importância da avaliação dos sintomas e por que alguns sinais merecem atenção.
O que é um derrame ou AVC?
“Derrame” é o termo popular utilizado para o acidente vascular cerebral. O AVC acontece quando uma região do cérebro deixa de receber sangue adequadamente ou quando ocorre sangramento dentro ou ao redor do cérebro.
O AVC isquêmico ocorre quando uma artéria é obstruída, reduzindo ou interrompendo a passagem de sangue para uma área cerebral. Já o AVC hemorrágico acontece quando há ruptura de um vaso sanguíneo cerebral.
Quais são os sinais de derrame?
Uma característica importante do AVC é que os sintomas costumam aparecer de forma súbita.
- Fraqueza ou formigamento em um lado do rosto ou corpo;
- Dificuldade para levantar ou movimentar um dos braços;
- Alteração repentina da fala;
- Dificuldade para compreender o que outras pessoas dizem;
- Alteração súbita da visão;
- Tontura ou perda de equilíbrio;
- Dificuldade para caminhar;
- Dor de cabeça muito intensa e de início súbito.
Diante de sinais sugestivos de AVC, o atendimento deve ser imediato. Quanto mais cedo o paciente for avaliado, maiores podem ser as possibilidades de tratamento e recuperação.
O que o coração tem a ver com o derrame?
Essa é uma dúvida muito comum. O AVC acontece no cérebro, mas várias condições cardiovasculares participam diretamente do risco de um acidente vascular cerebral.
Um exemplo importante é a fibrilação atrial, uma arritmia que pode favorecer a formação de coágulos dentro do coração. Em determinadas situações, um coágulo pode se deslocar pela circulação até uma artéria cerebral e provocar um AVC isquêmico.
A hipertensão arterial também merece destaque. Pressão alta sem controle está associada tanto ao risco de AVC quanto ao desenvolvimento de outras doenças cardiovasculares.
Por isso, embora o tratamento agudo do AVC envolva equipes especializadas, a cardiologia tem papel importante na prevenção e no controle de vários dos fatores que aumentam o risco de derrame.
Infarto e AVC compartilham fatores de risco
Infarto e derrame não são eventos completamente independentes. Muitas das alterações que prejudicam as artérias do coração também afetam outros vasos do organismo.
Entre os principais fatores relacionados ao risco cardiovascular estão:
Pressão alta
A hipertensão pode lesar progressivamente as paredes dos vasos sanguíneos e está fortemente relacionada ao risco cardiovascular.
Colesterol elevado
Alterações do colesterol podem favorecer a formação de placas nas artérias e o desenvolvimento de aterosclerose.
Diabetes
O diabetes está relacionado a maior risco de doença vascular e exige atenção especial à prevenção cardiovascular.
Tabagismo
O cigarro prejudica os vasos sanguíneos e está associado ao aumento do risco de infarto e AVC.
Obesidade e sedentarismo
Excesso de peso e baixa atividade física podem estar associados a hipertensão, diabetes e alterações metabólicas.
Histórico familiar
Doença cardiovascular precoce em familiares próximos pode modificar a avaliação individual de risco.
O perigo dos fatores de risco silenciosos
Um dos maiores desafios da prevenção cardiovascular é que muitos fatores de risco não provocam sintomas durante bastante tempo.
A pessoa pode ter pressão arterial elevada, colesterol alterado ou diabetes e continuar realizando suas atividades normalmente. A ausência de sintomas não significa necessariamente ausência de risco.
É justamente por isso que avaliação médica, histórico clínico e análise individual dos fatores de risco têm papel importante na prevenção.
Pressão alta pode causar infarto e derrame?
A hipertensão arterial está diretamente relacionada ao risco cardiovascular. Quando permanece elevada ao longo do tempo, pode provocar alterações nos vasos sanguíneos e aumentar a sobrecarga sobre o coração.
Além do risco de AVC, a hipertensão está associada a insuficiência cardíaca, doença renal e outras complicações.
O problema é que muitas pessoas com hipertensão não sentem nada. Por isso, medir a pressão e acompanhar adequadamente quando existem alterações é muito mais eficaz do que esperar o aparecimento de sintomas.
Qual é a relação entre colesterol e infarto?
O colesterol é necessário para várias funções do organismo. O problema surge quando determinadas alterações no perfil lipídico favorecem o acúmulo de colesterol na parede das artérias.
Com o passar dos anos, esse processo pode contribuir para o desenvolvimento de placas de aterosclerose. Essas placas podem estreitar o interior das artérias ou sofrer ruptura, favorecendo a formação de coágulos.
Entretanto, a avaliação do risco cardiovascular não deve ser feita observando apenas um número isolado do exame de colesterol. Idade, pressão arterial, diabetes, tabagismo, histórico familiar e outras características fazem parte dessa análise.
Arritmia pode causar derrame?
Algumas arritmias aumentam o risco de formação de coágulos e, consequentemente, podem contribuir para a ocorrência de AVC.
A fibrilação atrial é o exemplo mais conhecido. Nessa condição, os átrios do coração não se contraem de maneira coordenada. Dependendo das características do paciente, isso pode favorecer a formação de trombos.
Nem toda palpitação significa fibrilação atrial e nem toda arritmia apresenta o mesmo risco. A investigação precisa considerar os sintomas, histórico, exame clínico e, quando indicado, exames complementares.
Como reduzir o risco de infarto e AVC?
Não existe uma única medida capaz de eliminar completamente o risco cardiovascular. A prevenção envolve controlar diferentes fatores de forma consistente ao longo do tempo.
- Não fumar;
- Controlar adequadamente a pressão arterial;
- Acompanhar glicemia e diabetes quando presentes;
- Avaliar e tratar alterações do colesterol quando indicado;
- Praticar atividade física de forma regular e adequada;
- Manter alimentação equilibrada;
- Buscar um peso saudável;
- Evitar consumo excessivo de álcool;
- Manter acompanhamento médico conforme seu perfil de risco.
Quem deveria avaliar o risco cardiovascular?
Não existe uma única idade ou regra que determine quando todas as pessoas devem iniciar acompanhamento cardiológico.
A decisão depende do conjunto de características de cada pessoa. A avaliação tende a ser particularmente relevante quando existem sintomas, pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, tabagismo, doença cardiovascular prévia ou histórico familiar importante.
O objetivo de uma avaliação preventiva não é solicitar uma grande quantidade de exames indiscriminadamente. O objetivo é compreender o risco individual e definir quais medidas realmente fazem sentido para aquele paciente.
Consulta cardiológica não substitui atendimento de emergência
Existe uma diferença fundamental entre prevenção e atendimento de uma emergência.
Se uma pessoa estiver apresentando sintomas sugestivos de infarto ou AVC naquele momento, não deve aguardar uma consulta eletiva. A orientação é buscar atendimento de emergência imediatamente.
Quanto mais rápido ocorrer o diagnóstico e o tratamento em situações agudas, maiores podem ser as possibilidades de recuperação.
Perguntas frequentes sobre infarto e derrame
Infarto e derrame têm relação?
Sim. São condições diferentes, mas compartilham vários fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e doença vascular.
Dor no peito sempre é infarto?
Não. Existem diversas causas de dor no peito. Porém, dor intensa, pressão ou aperto no peito acompanhados de falta de ar, suor frio, náusea ou mal-estar exigem avaliação imediata.
Pressão alta pode causar derrame?
A hipertensão é um dos principais fatores associados ao risco de AVC. Por isso, diagnosticar e controlar a pressão arterial é uma parte importante da prevenção cardiovascular.
Arritmia pode causar AVC?
Algumas arritmias, especialmente a fibrilação atrial, podem aumentar o risco de formação de coágulos e AVC em determinados pacientes.
É possível ter infarto sem sentir dor no peito?
Sim. Algumas pessoas, especialmente idosos e pacientes com diabetes, podem apresentar sintomas menos típicos, como falta de ar, fraqueza ou mal-estar súbito.
Como saber meu risco de infarto?
A avaliação considera idade, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, histórico familiar, doenças prévias e outros fatores. O risco não deve ser determinado apenas por um exame isolado.
Dr. João Victor Sampaio
Médico cardiologista em Cachoeira do Sul, com atuação em cardiologia clínica, avaliação de risco cardiovascular, hipertensão, arritmias, prevenção de infarto e acompanhamento da saúde cardiovascular.
CRM 39235 | RQE 38278